Menu


Yanomami's Blues

02 OUT 2018
02 de Outubro de 2018

Yanomami's Blues, Wahari (1999)




Acho difícil escrever sobre um disco desconhecido da maioria, e tentar descrevê-lo... Os discos são afinal para ser ouvidos, muito mais que comentados, e às vezes a descrição acaba ficando um tanto enfadonha. Eu gosto muito deste disco apesar de escutar pouco (por preferir ouvir canções à música instrumental), ele é bonito e tem um variação de humores muito interessante.




Wahari é o som do vento entrando pelas frestas das ocas e significa (se é que é possível uma tradução) vento brando da noite na língua Yanomami. É também o nome de uma banda curitibana (não, eu não sou amigo, sequer conheço qualquer um destes músicos...) formada pelos irmãos Augusto e Gustavo Weber (que na verdade são de Capanema, Oeste do estado) responsáveis pelo núcleo melódico da banda, o primeiro concentrando-se na guitarra e cítara e o segundo nas violas. Completam a banda Frederico Ferraz e Nilton Rodrigues, responsáveis por percussões as mais diversas, incluindo pandeiro, bongô, berimbau, triângulo, o que dá um ar bem brasileiro ao som do vento aqui.




Vento noturno portanto é a música nome da banda e inicia no oriente, com cítara e tabla e vem vindo pro ocidente com elementos percussivos, violão, violoncelo e viola entrando aos poucos, sem deixar que estes são confundam e mantendo uma harmonia impressionante. Já em Yanomami’s Blues o caminho é outro: nasce bem blues com violão e slide e aos poucos vem navegando rumo ao sul na percussão cheio de elementos típicos da música brasileira-africana, berimbau e bongôs entre outros.




O disco segue girando e em Terra Aberta a locomotiva é a viola. Aqui são duas, a tradicional de 10 cordas (5 oitavadas) e o que aqui é chamado de viola de sete bocas (e que eu já vi por aí com o nome de viola dinâmica. É o similar ao dobro ou resonator guitar, só que nacional...). E logo os vagões são coloridamente preenchidos por flautas e percussão variada. Estas três músicas trazem a síntese do trabalho do grupo, a mistura de blues, moda de viola e música indiana, formando uma espécie de “introdução” ao conteúdo musical do grupo. Pode parecer meio pizza de feijoada com costela de carneiro, mas estes elementos tão distintos aqui aparecem em convivência pacífica e natural, sem forçação de barra.




Viajando ao Espaço, voltam com a instrumentação repleta de tons da índia e uma linda guitarra tocada limpa, limpinha. Junto com London Bossa, que é outra embalada pela guitarra de Augusto, estas duas dão um ar mais urbano e contemporâneo ao disco, assim como duas músicas que aparecem mais pro final, A Bela Chinesa e Rio Soul, com toques de jazz-blues fusion temperados por elementos tipicamente Wahari.




Já Capanema’s Way é centrada nas cordas dos convidados Maska (violino) e Alesandro Laroca (violoncelo) que levam a canção como uma viagem de trem pelo interior. No final entram suavemente vozes femininas em coro. Além das três primeiras, destaca-se o Raga Nordestino que faz belo o improvável, começa ooooohmmmmm no harmonium (de Plínio Silva) e cítara e depois deriva pra olê Mulé Rendeira na viola, violão e triângulo. Lindíssima. E gosto também da Catira, ritmo e dança rural típico de SP, MG, bem caipira, com um toque pessoal de muita classe sem deixar de respeitar a tradição original.




Fecha o álbum uma inusitada versão do supremo clássico de Ari Baroso, Aquarela do Brasil, bem à moda da banda: começa com a cítara embalada pela tabla de Kiko Pereira, entoando esta velha conhecida nossa. Aos poucos, a índia vai sendo sambada pela percussão bem brasileira. Nada mais apropriado.

Texto extráido do site: 1001 Discos Brasileiros (http://1001br.blogspot.com)

Voltar

© Todos os direitos reservados.

Tenha também o seu site. É grátis!